
MORRO DO SABOÓ é o mais conhecido acidente geográfico de São Roque, atingindo altitude de 1000 metros.
O que foi preciso para eu participar de uma corrida de aventura?
Antes de tudo, dedicação e treino. Basta começar a treinar para um dia poder participar deste tipo de aventura. Um exemplo ocorreu nesta etapa do Haka Race em São Roque com a equipe Saci, onde uma das integrantes da equipe correu pela primeira vez.
¨Há três anos eu era totalmente sedentária. Para tentar amenizar a situação já que nunca suportei academia, comprei uma bike para tentar emagrecer meus 5 kg ganhos após o casamento. Na verdade eu não tinha capacidade de pedalar mais de 1 km sem descer da bike bufando. Meu sonho na época era conseguir pedalar da avenida Vital Brasil até a Unesp, circuito com aproximadamente 8 km, contanto ida e volta. Como tinha muita dificuldade em pedalar, resolvi entrar em uma academia e nunca mais abandonei o vício. A distância foi aumentando gradativamente e quando vi estava pedalando 30 km e correndo 10 km (claro que com dificuldade, nada é feito sem MUITO esforço).
Foi então que meu marido Rui Seabra e meu personal Fabiano Eburneo, ambos da equipe Saci, me disseram que eu estava preparada para uma corrida de aventura, já que concomitante com o treino, durante aproximadamente 3 anos fiz parte da equipe de apoio da equipe. Tremi. Jamais me senti segura e pronta para tal desafio, mas, como a distância da modalidade Sport (35 km) é mais curta que as outras provas que ocorrem pelo país (mais curtas com 50 km), topei o desafio.
Quando me inscrevi não tinha noção de onde estava me metendo, muito menos o que me esperava, mesmo acompanhando durante anos os bastidores da corrida. O Fabiano (que correu comigo) me pilhava toda vez que falava comigo e isso me deixou muito nervosa. Quando chegamos em São Roque entendi na prática o que os corredores chamam de perrengue...nunca vi tanto morro na minha vida!
O Fabiano viu minha ansiedade e acabou ficando ansioso também afinal não sabia como eu me comportaria apesar de me conhecer há algum tempo. Na largada a adrenalina era tanta que nem me lembro de ter ouvido a corneta do organizador, apenas segui o fluxo. Enquanto a prova ia se desenrolando, a cada desafio me passavam milhares de coisas na cabeça, do tipo, o que estou fazendo aqui, o que estou querendo com isso, entre outras coisas. No trecho final, de bike (minha maior dificuldade), pensei muitas vezes em desistir, por outro lado eu pensava que não tinha me esforçado tanto à toa. Pensei que nunca mais faria isso quando não conseguia mexer minhas pernas de cãibras, é uma sensação absolutamente terrível onde você se sente totalmente impotente e com muita dor.
Quando nos demos conta, estávamos à 500 m da chegada, entre os 10 primeiros e com muita vontade de desistir. Sabe o que é mais incrível? No momento em que passamos pelo pórtico de chegada a primeira coisa que veio na minha mente foi quando seria meu próximo desafio. Acho que realmente fui picada pelo bichinho da corrida de aventura. Ficamos em 9º lugar na classificação geral (contando equipes masculinas e mistas) e no ranking da prova, em 6º lugar.
O que eu aprendi de melhor com este desafio foi dar um novo sentido à palavra superação¨.